estreito.
já há três dias chovia quando ele abriu a porta e saiu andando, do jeito que estava. nem trancou as portas que protegeriam os poucos pertences que ele ali mantia, a televisão ligada, o telefone fora do gancho. apenas coisas. a chuva caindo em gotas gordas e gélidas, explodindo em seu rosto, em seus óculos, escorrendo pela barba por fazer, encharcando suas roupas e meias, invandindo pelos poros levando um gélido arrepio a tocar seus ossos. ele apenas saiu andando sob a chuva. os passos o guiavam na tarde cinzenta e apenas os passos dele se veriam pela rua caso um ou outro olhar procurasse por algo do lado de fora de cada mundinho particular. das janelas não se esperava nada pois as ruas que se mostravam ainda eram as mesmas e o dia que desabava líquido era o mesmo. nenhuma razão. mas isso pouco importava pois mesmo as janelas, portas, muros e coisas passavam ao largo do seu olhar, ele caminhava olhando para a frente. decidido, alguem diria. mas não é o caso.
o céu massacrava a terra e a enchia de som. aquele som assutador de chuva forte, impedindo-o de ouvir os proprios passos. e os próprios pensamentos. a roupa que ele iria trabalhar agora era uma segunda pele pesada e fria, uma ótima metáfora e caso ele parasse pra pensar nisso, certamente ele daria uma risada disfarçada. nem pensara em se desfazer do que atrasava os seus passos, não tinha pressa de chegar, apesar de andar rápido. e o céu envolvia-o úmido e morto. o ar pesava. por detrás das nuvens carregadas o sol caminhava pelo céu num arco, como se junto dele participasse de uma corrida. mas o sol não parava de seguir seu caminho, e ele já não mais conseguia perseguir o seu mergulho, caminhando cada vez mais devagar, os passos cada vez mais arrastados, o olhar cada vez com menos lume... e depois do sol já ter corrido por quase toda a abóbada, ele parou. o olhar ainda se mantinha fixo num ponto que talvez nem ele conhecesse. o corpo começava a falhar. deu alguns passos vacilantes e caiu por terra. o olhar ainda aberto para o mundo que se restringia num ponto distante enquanto a boca suspirava o resto de ar que ele guardara em si.
as pernas haviam andado muito, mas os olhos não tinham saído do lugar.
domingo, agosto 29, 2004
sexta-feira, agosto 27, 2004
Prodigy - "Always Outnumbered, Never Outgunned"
depois de dois anos sem lançar nenhum matérial inédito, o prodigy volta com um álbum que certamente nem é preciso ouvir muito pra notar a evolução dos trabalhos anteriores. desde baby's got a temper, de 2002, o grupo não andou bem das pernas, agora o prodigy voltou às origens, com liam howlett sozinho, despejando os macaquinhos clubbers Maxim y Keith Flint . o título não podia ser mais apropriado, o prodigy pode estar com MENAS pessoas, mas a munição pesada ainda tem muito pra botar pra foder com pancadas abusadas e sujeira em excesso.
a falta nem é sentida. aliás, é eficientemente preenchida por convidados de peso. até os irmãos gallagher dão o ar da (falta de) graça em "shoot down", que até é boa. além deles, até a atriz juliette lewis dá sua canja em "hot ride". os trejeitos rapeados do Maxim e a gritaria inaudível e ininteligível de Keith Flint não dão nem saudosismo.
destaque pro remix monstruoso de "love buzz", da obscura Shocking Blues ( imortalizada pelo Nirvana no bleach) e pro principal single "memphis bells". pra dançar de cara feia e com o crowd fervendo. uh!
ouça a bagaça aqui veja o site e um flashmovie de memphis bells aqui .
\o/ deus salve a vpro \o/
segunda-feira, agosto 23, 2004
os devidos agradecimentos,
bem, depois de quase um mês em terras extrangeiras, retornarei ao berço. pelo menos saio com umas certezas e com muita saudade na bagagem. ah! e revistinhas também.
vou sentir falta da rotina louca que me impus e das pessoas agora tão mais queridas. obrigado à todos por tornar os previstos 6 dias em 3 semanas maravilhosas.
mas bem, agora A-C-A-B-O-U.
obrigados especiais,
primeiro de tudo, à alejandro e felipe, que me deixaram bagunçar a casa e a vida deles por esses dias e nem ao menos reclamaram. e ainda me deram muitos momentos de alegria e me ajudaram com minhas novas resoluções, apesar de nem saberem disso.
catarina, por toda a atenção especial e pela dedicação da minha irmã gêmia. valeu pelo conjunto da obra. vou sentir muita saudade de te ter por perto quase diariamente. com sono. com espirro. com resmungo. mas nos vemos em breve, pra que guardar saudade?
patrícia, pelo saco e também por ter alterado a sua rotina pra me acolher. valeu por ter me salvo num momento de desespero cristão e NÃO A DESCULPAREI por rumba. ah! e agora nosso amor está consolidado...da próxima vez não passa!
bel, que apesar de ter conhecido nesses ultimos dias, foi uma companheira de bombação expressionante. e bem, foi a que me mostrou a dança do acasalamento e pode proporcionar que eu visse um viado de coelhinho. bolinho.
talhú, por ter também saído da rotina e até faltado compromissos (bonito, ein?) pra poder ser a companhia maravilhosa que é. infelizmente cheguei numa má hora, mas HEMOS de nos ver menos atarefados e então, vai ser muito bom.
fabs e fernando, pela companhia e pelos risos nesses dias. e fernando, valeu por ter me deixado participar do seu trabalho! =P
nat, que me boicotou loucamente, mas bem... valeu mesmo assim pela companhia-relâmpago.
aos outros: nina, mariana, leila, thiago, hiper card, e tantos outros. valeu pelo LAZER.
bem, foi um agradecimento rápido e não expressa nem um quinto da gratidão. mas eu tenho um ônibus pra pegar.
BOLINHO.
bem, depois de quase um mês em terras extrangeiras, retornarei ao berço. pelo menos saio com umas certezas e com muita saudade na bagagem. ah! e revistinhas também.
vou sentir falta da rotina louca que me impus e das pessoas agora tão mais queridas. obrigado à todos por tornar os previstos 6 dias em 3 semanas maravilhosas.
mas bem, agora A-C-A-B-O-U.
obrigados especiais,
primeiro de tudo, à alejandro e felipe, que me deixaram bagunçar a casa e a vida deles por esses dias e nem ao menos reclamaram. e ainda me deram muitos momentos de alegria e me ajudaram com minhas novas resoluções, apesar de nem saberem disso.
catarina, por toda a atenção especial e pela dedicação da minha irmã gêmia. valeu pelo conjunto da obra. vou sentir muita saudade de te ter por perto quase diariamente. com sono. com espirro. com resmungo. mas nos vemos em breve, pra que guardar saudade?
patrícia, pelo saco e também por ter alterado a sua rotina pra me acolher. valeu por ter me salvo num momento de desespero cristão e NÃO A DESCULPAREI por rumba. ah! e agora nosso amor está consolidado...da próxima vez não passa!
bel, que apesar de ter conhecido nesses ultimos dias, foi uma companheira de bombação expressionante. e bem, foi a que me mostrou a dança do acasalamento e pode proporcionar que eu visse um viado de coelhinho. bolinho.
talhú, por ter também saído da rotina e até faltado compromissos (bonito, ein?) pra poder ser a companhia maravilhosa que é. infelizmente cheguei numa má hora, mas HEMOS de nos ver menos atarefados e então, vai ser muito bom.
fabs e fernando, pela companhia e pelos risos nesses dias. e fernando, valeu por ter me deixado participar do seu trabalho! =P
nat, que me boicotou loucamente, mas bem... valeu mesmo assim pela companhia-relâmpago.
aos outros: nina, mariana, leila, thiago, hiper card, e tantos outros. valeu pelo LAZER.
bem, foi um agradecimento rápido e não expressa nem um quinto da gratidão. mas eu tenho um ônibus pra pegar.
BOLINHO.
quinta-feira, agosto 19, 2004
raphael e o espírito olímpico
depois de ver a repercussão negativa de uma tira sobre as olimpíadas no blog do allan sieber e de eu mesmo já ter tido minha pá de experiência com pessoas IMBUIDAS do tal espírito olímpico resolvi dar meus humildes pitacos sobre o evento. afinal, não dá pra ignorar coisa desse porte (minto: dá, mas nos iludamos).
não importa qual competição esportiva seja: olimpíadas, copa do mundo, u.s. open de tênis, campeonato interplanetar de lacrosse. se houve UM brasileiro que seja (mesmo que seja defendendo outra nação) sempre haverá um galvão bueno em cada um dos verdadeiros brasileiros (brasil, ame-ou ou deixe-o virou moda de novo) a vibrar e a tecer dados, estatístcas e comentários abalizadissíssimos sobre qualquer que seja a modalidade na qual o pobre maldito SUE.
eu me impressiono com a capacidade CATÁRTICA do povo brasileiro ao torcer por um esporte que em qualquer outra situação seria completamente ignorado. uma dona de casa ora pacata e que diria que o filho é um vagabundo porque vive jogando bola vira all of a sudden numa fervorosa hooligan de beira de estrada. o analfabeto funcional (87% dos brasileiros, segundo o IBGE) que mal sabe qual a forma geométrica de um tablado de grd que sabe todos os duplostwistscarpados da daiane e vibra como se a vibração de suas cordas vocais fossem chegar em atenas. ou mesmo qualquer brasileiro médio que torce pra classe laser, phaser, photon ou seja lá qual for do iatismo sem entender ao menos o que é que se está competindo (pra mim, é um monte de barco na água se batendo numas boias).
isso sem contar a clásse média letrada e líder desse país, que por causa de uma simples charge culpa aqueles que como eu estão CAGANDO y ANDANDO para qualquer manifestação falsa e monetária em nome de um tal de "espírito olímpico". como já disse milhões de vezes: é tudo tão falso quanto a buceta de Roberta Close.
(mas tem gente que come)
as olimpiadas não são nada mais do que uma oportunidade única (pelo menos a cada quatro anos) de se ganhar dinheiro. companhias aéreas, conglomerados da mídia, indústria de remédios (o dopping hoje em dia é regra), publicitários e os grandes astros do esporte, que estão CAGANDO y ANDANDO para a glória do seu país, contanto que seu CUZINHO se encha de BUFUNFA.
só quem não ganha dinheiro é o brasileiro burro e babaca (desculpem pelo pleonasmo) que acha que o patri(di)otismo se mede pela quantidade de decibéis que ele consegue produzir ao vibrar pelo brasileiro que está ganindo como um porco e levando um fumo em _________________ (inserir qualquer competição aqui).
ano que vem todos os atletas brasileiros estarão desempregados e dando o cu por patrocínio. a não ser alguns que darão por esporte mesmo.
espírito olímpico? chamem os ghostbusters.
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