quarta-feira, abril 10, 2013

de volta

o cheiro do ar é o mesmo, e ainda traz aquele gosto de sal. o silêncio faz o relógio gritar na parede. tudo parece igual, e parece que nunca fui embora. mas algo me diz por dentro que eu já fui, e talvez nunca consiga voltar.

o vento ainda carrega os mesmos sons distantes, de poucos carros que transitam e dão a impressão de ser um barulho de mar metálico e revolto. o calor ainda esquenta os olhos, a luz ainda cega. nada mudou e tudo está diferente. 

e talvez eu nunca volte.

terça-feira, janeiro 22, 2013

the hitchhiker's guide

é inevitável: uma estrada pressupõe um destino. pois estradas nada mais são do que espaços entre o que é o que será. ou coisas que são cada qual em seu canto e que se ligam. sem jamais se encontrar.

é inevitável. a estrada é caminho mas pra mim e o olho abrindo devagar de manhã e a luz desafiando einstein e entrando lenta nos meus olhos. as paisagens não existem pois na estrada eu vejo o destino. e sinto o cheiro fraco. o calor diferente. o ar que faz na pele outro sentir. longe ainda tenho nos olhos as imagens que verei.  quase chegando tenho na boca os sabores que provarei. e a estrada é passagem e passou.

(há quem olhe pela janela. e já olhei também. quando não havia destino e a própria estrada já se apresentada como o meu onde. a paisagem o largo o vento as placas os sinais marcações e cada entreposto posto e pousada. a estrada já é e foi e será sempre morada. quando o destino não existe)

é inevitável. o destino é um muro. ou um fosso. ou um fim. um precipício. os espaços entre o é e o será. sendo que o será é um muro. um fosso. um fim. um precipício. e onde está a paisagem se já vejo o destino-muro? já sinto o cheiro fraco do fundo? o calor e o frio do fim? a ventania que sobe das profundezas e traz na pele o leve arrepio que dá em cada pausa entre uma respiração prendida e outra.

a estrada e o muro chegando. o fim. a abandonado o destino - que nunca acolheria - os sinais e marcações. os entrepostos. postos. pousadas. a estrada é a morada. e do acostamento, a vida sempre pedindo carona.

terça-feira, novembro 20, 2012

amor líquido

e não importa o movimento das águas e o ciclo que fazem elas chorarem nesse céu que já foi de tanto sol. é na maré secante que mais sinto saudade.