domingo, dezembro 08, 2002

1:14am Dia 1

Depois de horas de desconforto claustrofóbico, torcicolo, dores nas pernas, música ruim e calor, chegamos em Recife. O caos, o caos...

Vagamos em busca do hotel por muito tempo, e depois de confusão, sinais vermelhos e dobradas erradas, chegamos.

O hotel, além de ter sido construído caoticamente, é bem mixuruquinha, em frente ao maior prédio (aka favelão vertical) de Pernambuco, na avenida com o maior número de putas por esquina quadrada. Mas resolvemos ficar aqui mesmo pra não ter que sair à procura de outro. Chegada então a hora de telefonar.

O telefone fica perto da piscina, numa cabine (na verdade “meia cabine”) do tipo inglês, vermelha com “TELEPHONE” na porta. Ligo para Mariana, não consigo; ligo para Catarina, não está em casa; ligo para Natália ocupado. Ocupado, ocupado, ocupado, ocupado...Ligo então para Rachel, falo com ela ( a minha primeira boa impressão em Recife) e tento depois ligar pra Natália de novo. Ocupado. Desisto e volto pro quarto.

Chego no quarto e já percebo que a Conferência Internacional de Descriminação e Exclusão à Raphael já tinha terminado e suas resoluções já estavam unanimemente decididas. As três camas de baixo daquelas de mola confortabilíssimas, já estavam ocupadas, e o jeito era escolher uma das três camas que o mezanino me oferecia.

Pelo menos tinha chance de escolha: qual das três camas escolheria? Todas duras, feias e desconfortáveis. Alem de tudo, ainda tinha que torcer para que as leis da Física funcionassem; O ar frio TEM que subir, ou vou ficar dormindo no calor também...
Dormi a tarde (na verdade o restinho dela) inteira. E quando acordei tentei ligar mais uma vez para Catarina. Acabei acordando ela, mas acho que ela não ficou chateada, senão não teria acabado o meu cartão conversando. Segundo Record de uso de cartão telefônico em uma única ligação local para telefone fixo: 34 unidades.
Conversamos muito e depois marcamos para nos encontrar amanhã, hoje fiquei a tarde inteira sozinho, vamos ver amanhã, essa porra!

Chegando no quarto depois de ligar (detalhe: de calça jeans, chinelo e camisa de botão desabotoada andando pelo hotel) vejo que vamos sair. Comida chinesa e depois celebração mundial do fim-de-semana dos MESCs. Pernambuco em concerto 2002, milhões, bilhões de pernambucanos com suas sandalhinhas de couro curtido, saias de brechó e óculos Rivers Cuomo dançando os ritmos milenares do maracatu, coco de roda, remexerico e balangandanga. Detalhe para a feira MangueMix, e o bafafá na tenda de instrumentos músicas, em que consumidores como que tomados por Iansã pegaram os instrumentos e começaram a compor uma ode ao criolo doido. Ate meu irmão entrou na onda.. (By the way: Ian, Rabeca = R$ 200,00)

Entao a volta...passada no supermercado (o tipico para burlar conta de hotel: água, suco e pra depois um Talento...), quarto e então cá estou eu, suando no mezanino, ouvindo Amnesiac e escrevendo isso só de cueca.

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